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Doenças transmitidas por carraças

  • O que são carraças?

       As carraças são parasitas externos, artrópodes pertencentes à Ordem Acarina, que se alimentam do sangue do hospedeiro. Variam de tamanho entre os 3 e 6 mm, em média. As carraças podem transmitir vários agentes patogénicos que são responsáveis por doenças bacterianas, virais ou parasitárias nos seres humanos e nos animais.

      Existem muitas espécies de carraças, no entanto, em Portugal, as três mais frequentes são: Ixodes ricinus, Dermacentor reticulatus e Rhipicephalus sanguineus.

       O ciclo de vida da carraça é caracterizado pela sua natureza trifásica: a larva, a ninfa e, em seguida, a fêmea adulta que se alimentam uma vez do sangue de diferentes hospedeiros.

       As carraças passam a maior parte da sua vida no ambiente externo (e não no hospedeiro), pelo que se justifica atuar sobre o ambiente para prevenir a infestação dos animais de estimação.

  • Em que altura são mais frequentes?

      As carraças são mais frequentes entre a Primavera e o Outono, devido às temperaturas mais amenas, aos índices de humidade mais adequados, ao aumento de exposição solar e intensidade da luz – condições ideais para o seu desenvolvimento.

       Como em Portugal as carraças não desaparecem nos meses mais frios do Inverno, é frequente encontrá-las durante todo o ano, logo a prevenção deve ser contínua e sem intervalos, mesmo no Inverno.

  • Que doenças podem ser transmitidas por carraças?

      Durante a sua vida as carraças podem picar e alimentar-se do sangue de diferentes hospedeiros, funcionando como vetor da disseminação de várias infeções sanguíneas. Ao picarem o hospedeiro, ingerem sangue para se alimentarem e quando a saliva é inoculada, esta pode veicular vírus, bactérias ou protozoários, caso a carraça esteja infectada.

      A doença mais comum transmitida por carraças é a Babesiose ou Piroplasmose, popularmente conhecida como a “Febre da Carraça”:

  • A Babesiose canina é causada por um protozoário denominado Babesia Canis, que atua infiltrando-se e destruindo os glóbulos vermelhos, resultando numa anemia grave. Este hemoparasita pode ser transmitido por diversas espécies de carraças. Os sinais clínicos que os cães apresentam variam, desde perda de apetite, depressão, febre, anemia, icterícia (mucosas amarelas), hemoglobinúria (urina de cor escura) e diarreia.

      Outras doenças, que também podem ser transmitidas por carraças são:

  • Doença de Lyme (Borreliose) : É causada por uma bactéria (Borrelia) e é transmitida por carraças do género Ixodes. Esta doença é uma zoonose, ou seja, é transmissível do animal para o homem. O quadro clínico é extenso, podendo o animal apresentar sinais inespecíficos como febre, perda de peso, anorexia, astenia e dispneia (dificuldade respiratória). Os sinais mais frequentes são articulares – artrite, claudicação, animais recusam mexer-se ou manterem-se em estação. Podem manifestar ainda tremores, ataxia (desequilíbrio), alterações comportamentais, insuficiência renal, entre outros.
  • Ehrlichiose: Doença causada pela bactéria Ehrlichia canis que parasita os glóbulos brancos e as plaquetas do sangue, levando à sua destruição. Este hemoparasita é transmitido por carraças da espécie Rhipicephalus Sanguineus. Na fase aguda, causa febre, problemas respiratórios, edema, vómitos, perda de peso.
  • Como pode proteger o seu animal?

      O método mais eficiente para evitar que o seu animal seja infetado é combater as carraças, responsáveis por transmitir a doença. Existem diversos desparasitantes externos eficazes, que deverão ser aplicados ao longo de todo o ano, com especial atenção aos meses mais quentes. Existem em várias apresentações e com diferentes princípios ativos. Está disponível uma ampla gama de produtos antiparasitários para proteger o seu animal contra carraças: comprimidos, pipetas, sprays e coleiras.

       Se optar pelo uso de comprimidos, as pulgas e as carraças, têm de se fixar à pele do hospedeiro e começar a alimentar-se do seu sangue para serem expostas à substância ativa. Neste caso conseguirá a eliminação dos ectoparasitas que se alimentaram do hospedeiro (efeito inseticida), mas não impedirá que estes lhe possam transmitir agentes infeciosos.

      Se optar por uma pipeta ou uma coleira, estes são produtos com efeito repelente, além da clássica ação de matar os parasitas, providenciam uma proteção rápida e de largo espectro. Os parasitas morrem quando entram em contacto com a pele e pelo antes de picarem.

      Deverá optar sempre pelo uso combinado de inseticidas e de repelentes, visto que a administração de inseticidas por si só é insuficiente, não impedindo a transmissão de agentes infeciosos pelos ectoparasitas.

      Existe também uma vacina para os cães como forma de prevenção, mas é uma vacina que confere proteção exclusivamente contra o parasita da espécie Babesia canis pelo que é muito importante proteger os nossos animais de companhia recorrendo aos diversos métodos que existem à nossa disposição.

      Qualquer dúvida não hesites em contactar-nos!