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Encefalitozoonose em coelhos

O que é a Encephalitozoon cuniculi (E. cuniculi)?

E. cuniculi é um parasita, mais concretamente um protozoário, que causa a doença encefalitozoonose. Afeta principalmente o sistema nervoso (cérebro e medula espinhal) e rins. Os esporos de E. cuniculi são disseminados na urina de um coelho infetado e então ingeridos (ou, menos comumente, inalados) para infetar outro coelho. O parasita também pode ser transmitido da mãe para o filho durante a gravidez. Existem outros animais que podem ser portadores do parasita, incluindo coelhos selvagens e roedores, no entanto, a maioria será assintomática e poucos são afetados pela doença.

Sinais clínicos

Se uma coelha grávida estiver infectada, o parasita E. cuniculi pode infetar os olhos dos coelhinhos não nascidos. Isso pode causar a destruição da lente e do olho mais tarde na vida (geralmente de 6 meses a 2 anos de idade). O coelho pode também desenvolver cataratas e o olho pode ficar vermelho e inchado.

O sintoma mais comum, em coelhos adultos, é a fraqueza nos membros posteriores e, em casos avançados, paralisia. Acredita-se que isso resulte do inchaço causado ao redor do parasita na coluna vertebral, levando à destruição do tecido nervoso. Outros sinais clínicos observados incluem:

  • Inclinar a cabeça (Head Tilt);
  • Perda de equilíbrio;
  • Tremores;
  • Falência renal.

Assim que o coelho desenvolver sinais clínicos graves, deve ser aconselhada a eutanásia. Se não for tratada, pode ocorrer morte. Os sinais de insuficiência renal, tal como com noutras espécies, podem incluir aumento da sede, aumento da micção, perda de peso e diminuição do apetite.

Diagnóstico

Começam a surgir testes rápidos que detetam o parasita na urina no entanto, de momento o diagnóstico mais utilizado é baseado na serologia (com recolha de sangue), que confirma a exposição, mais do que prova infeção actual.

Tratamento

Quando os sinais clínicos estão avançados, apenas pode ser implementado a terapia de suporte, pois atualmente não há tratamento que reverta os danos já causados pelo parasita. O tratamento sintomático pode ser fornecido para apoiar os sinais de distúrbios da bexiga ou do sistema nervoso.

O principal objetivo do tratamento é reduzir a inflamação e eliminar o parasita. O tratamento atual envolve medicação anti-inflamatória e anti-parasitária (febendazol), oral e diariamente durante 28 dias. A resposta ao tratamento vai depender da duração e gravidade da infeção aquando o diagnóstico e início do tratamento. O organismo pode sobreviver no ambiente durante 1 mês, no entanto é sensível a desinfetantes domésticos.

O Encephalitozoon é perigoso para as pessoas?

Sim, as pessoas podem desenvolver a doença, pois o parasita é zoonótico. No entanto, apenas indivíduos gravemente imunocomprometidos estão em risco. Isto porque, no raro caso de infeção, o sistema imunológico elimina os parasitas de maneira natural, causando uns sintomas leves e inofensivos que desaparecem facilmente, inclusive sem tratamento. É por este motivo que o Encephalitozoon cuniculi é perigoso para os animais ou para as pessoas imunossupressoras, pois o seu sistema imunológico não é capaz de combater as infeções como o faria se estivesse saudável.

Controlo e prevenção

Todos os coelhos adquiridos recentemente, independentemente da origem, devem receber uma único dose de febendazol por 4 semanas por via oral. Este tratamento é baseado na teoria de que, se o coelho for portador de E. cuniculi, o febendazol matará o parasita antes que ele cause mais danos. Isso, por sua vez, pode impedir o desenvolvimento de sinais clínicos.

Não há efeito duradouro do febendazol, portanto, se um coelho entrar em contato com o protozoário após receber a dose de tratamento, ainda estará sob risco de desenvolver a doença. Quaisquer novos coelhos que entrem numa casa com outros coelhos devem ser submetidos a quarentena e período de tratamento.

Se colocar um coelho numa gaiola pré existente, a higiene é crucial. Os esporos são relativamente resistentes às mudanças ambientais. Em temperaturas médias e em condições secas, o tempo médio de sobrevivência dos esporos é de quatro semanas. O parasita é, no entanto, facilmente morto com o contato com lixivia por um mínimo de 30 segundos.

Referências:
Keeble, E. (2011) Encephalitozoonosis in pet rabbits – what we do and don’t know, In Practice 33: 426-435
Suter et al (2001) Prevention and treatment of Encephalitozoon cuniculi infection in pet rabbits with fenbendazole, Veterinary Record 148: 478-480