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Hipocalcemia em Tartarugas

As tartarugas são um animal de estimação extremamente popular. Infelizmente, os seus tutores nem sempre estão corretamente informados sobre os cuidados básicos a ter com estes animais: alimentação, exposição solar, características do terrário/aquário, humidade, temperatura, etc. Mas, à semelhança dos mamíferos, cuidados básicos inadequados podem conduzir a patologias. Como são répteis, numa fase inicial da doença, não demonstram sintomatologia clínica exuberante e, por isso, os tutores só tendem a trazê-las a consulta quando existe um problema que já se prolonga há algum tempo.

Um dos problemas mais comuns em tartarugas (mas que também acontece com frequência em outros répteis mantidos em cativeiro) é a hipocalcemia (baixos níveis de cálcio no sangue) como resultado de uma doença chamada hiperparatiroidismo nutricional secundário. Esta patologia manifesta-se com tremores musculares, convulsões, paresia (perda de movimento parcial dos membros), anorexia (falta de apetite), prolapso da cloaca, diminuição da densidade óssea (resultando em fraturas ou deformações) ou mesmo a morte (por paragem das contrações cardíacas). A hipocalcemia é um problema mais comum em animais em crescimento, uma vez que os requisitos de cálcio são maiores.

Mas então, o que é que causa o hiperparatiroidismo nutricional secundário e consequentemente hipocalcemia? Pode ser causado por défice de cálcio e vitamina D na dieta, pouca exposição a radiação UV ou por ambos.

Em relação à alimentação, os tutores devem procurar fornecer uma dieta completa para tartarugas, com níveis adequados de cálcio e vitamina D. Um dos erros mais comuns na alimentação de tartarugas aquáticas é utilizar camarões secos como a base da sua dieta.

Quanto à radiação UV, poderíamos pensar que uma tartaruga que vive num aquário/terrário posicionado em frente a uma janela receberá toda a radiação UV necessária para a síntese de vitamina D na sua forma ativa. Infelizmente, isso não é verdade, porque a maioria dos vidros filtram as radiações UV. Deste modo, tartarugas que vivam dentro de casa, devem ter uma lâmpada UV colocada sobre o terrário para prevenir problemas do metabolismo do cálcio. Contudo, estas lâmpadas têm instruções especiais de utilização que devem ser respeitadas e que podem ser consultadas na própria embalagem. Mas, de um modo geral, a lâmpada deve ser colocada a uma distância de 40 a 60 cm do animal para exercer o seu efeito ótimo. Para além disso, estas lâmpadas têm uma validade máxima de 6 a 12 meses, período após o qual devem ser substituídas.

E então, qual é a expetativa de recuperação destes animais? Depende de cada caso, alguns animais não conseguem recuperar e acabam mesmo por falecer, outros recuperam totalmente. Animais com patologias crónicas podem ficar com deformações permanentes mas isso não significa que não possam ter uma boa vida como animais de estimação. O mais importante, a longo prazo, é corrigir o maneio (alimentação, radiação UV, temperatura, etc.) para que estes problemas não voltem a ocorrer.